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          O eleitor que vende o voto se equipara ao receptador de peças, que as adquire no desmanche de veículos roubados. Se não houver, urgentemente, uma campanha institucional de conscientização do eleitor e punições severas no âmbito eleitoral, as campanhas continuarão sendo milionárias, afastando pessoas de bem da atividade política e dos mandados eletivos.

A corrupção do eleitor tem ceifado carreiras políticas brilhantes e de pessoas que se iniciam na atividade pública com as melhores das intenções. Não importa se o candidato é preparado, honesto e se tem boas propostas. Grande parte do eleitorado só vota se levar vantagem financeira e boa parte dos cabos eleitorais e simpatizantes só trabalham na campanha mediante expressivas vantagens pessoais.

 A compra de votos se entranhou como um carcinoma maligno, na atividade pública, em todos os níveis. Os eleitos, em sua grande maioria, saem endividados das campanhas e não conseguem saldar os compromissos apenas com os seus subsídios. Resultado: alguns passam a vender os seus votos no Legislativo, para aprovar projetos de interesse do Executivo, instalando-se os famigerados “mensalões”. Por sua vez, alguns políticos eleitos para o Executivo se esgueiram nos desvios de recursos públicos, objetivando pagar suas dívidas de campanha, manter o “mensalão”, até para garantir a própria governabilidade.

O recente episódio do governo do Distrito Federal, ao que tudo indica, é um exemplo clássico de campanhas milionárias contaminadas pela compra de votos, que desaguou no governador, deputados distritais e secretários, ceifando carreiras políticas, manchadas pela suspeita de desvio de recursos públicos.

Nas ações judiciais por compra de votos, tenho presenciado verdadeiras “pérolas” de como o eleitor corrupto atua na eleição. Vai de comitê em comitê, na casa do candidato, em abordagem na rua, pedindo todo tipo de vantagem pessoal em troca de seu voto. Se o candidato não resiste ao assédio e “compra o voto”, o corrupto ainda o vende outra vez, para o candidato adversário. E assim, a ciranda da corrupção prossegue, tornando milionárias as campanhas e incentivando a prática de caixa dois.

Apuradas as eleições, o candidato derrotado, que talvez tenha comprado mais votos que o vencedor das eleições, procura os “mercadores de votos”, para, novamente mediante paga, denunciar o vencedor da eleição no Ministério Público ou para servir de  testemunha em processo movido pelo segundo colocado. Admitem perante o Ministério Público e o juiz eleitoral “o crime da venda do voto”, e saem das audiências como verdadeiros heróis e paladinos da Justiça, sem qualquer punição pelo crime confessado.

 Financiamento público de campanha não resolverá esse problema. As campanhas continuarão milionárias e com a presença do famigerado caixa dois, para abastecer o eleitor corrupto.  Punições devem ser exemplares para os políticos que compram votos e posteriormente os vendem  nos Parlamentos ou, se do Executivo, desviam recursos públicos para pagar as contas de campanha. O eleitor que vende o voto também deve ser punido, porque é a base dessa pirâmide de corrupção.

(Dalmy de Faria é advogado especializado em Direito Público e Eleitoral)

Fonte: www.folhadabahia.com.br

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A INTERNET AMEAÇA A TELEVISÃO
por Oscar Guedes, 26/11/2008

internet

A internet é um dos meios de comunicação mais importante ou, para muitos, o melhor. Seu crescimento ameaça o poder hegemônico e histórico da Televisão.

Atualmente, as emissoras de TV chegam a fazer, diariamente, referências a internet: cita-a como fonte, cita nomes ou endereços de sites e até exibe imagens de páginas virtuais. Ou seja, a Internet começa a ser vista pela Televisão de baixo para cima.

A qualidade do conteúdo da TV e sua audiência tem caído. O público com um nível maior de conhecimento tem migrado mais para a internet, o que faz aumentar a fatia dos "menos esclarecidos" na Televisão. E como os "poderosos" do jornalismo no Brasil visam mais lucro imediato e, para isto, precisam de audiência, a TV é obrigada a se adequar mais ao "novo" perfil, inclusive construído por ela mesmo. Construir uma nova realidade exige um trabalho a longo prazo com profissionais e conteúdo mais qualificados.

A Internet é um meio mais democrático do que a TV. Na comunicação de rede no computador, o usuário tem mais liberdade de escolha. Além de digitar o endereço do veículo (site), escolhe-se ainda o que deseja ver, ler ou ouvir. Enquanto na TV, o telespectador escolhe apenas o veículo (emissora). Independetemente, o consumidor de informação deve ficar atento com a mídia porque existe uma indústria da comunicação que visa deixar a humanidade mais "acomodada" diante dos "anseios" da elite brasileira e global.

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CONCURSOS PÚBLICOS NO BRASIL

É necessário uma urgente reformulação nas leis sobre os concursos públicos no Brasil. Normas mais rígidas devem ser aplicadas evitando irregularidas e injustiças que muitas vezes beneficiam as empresas ou órgãos responsáveis pelas vagas e/ou responsáveis pela aplicação das provas, prejudicando candidatos a espera de uma vaga no serviço público.

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TELEVISÃO NO BRASIL

As emissoras de televisão brasileiras precisam urgente reformular suas programações. Quantas vezes, diante de um aparelho de televisão, não encontramos uma programação que agrade? É muito dinheiro para pouca qualidade...

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O MUNDO NECESSITA DE LÍDERES
*por Benedicto Dutra

O mundo necessita urgentemente de novas lideranças que tenham um outro objetivo que não o confronto e a competitividade a qualquer preço. Napoleão Bonaparte, o grande general francês, costumava dizer que líder é aquele capaz de incutir em um povo o sentimento de esperança no futuro. Esse conceito foi colocado em prática durante um certo período, por vários governantes do mundo e até por muitos dirigentes de companhias e organizações. Hoje, no entanto, percebe-se que, de alguma forma, isso se perdeu. Basta um breve olhar sobre os detentores do poder da atualidade para se averiguar que o discurso não condiz com o que apregoaram antes de atingir as posições almejadas e suas prioridades se limitam a manter o status quo.

Os noticiários retratam todos os dias o aumento desordenado da violência no mundo, o que torna essas informações tão corriqueiras que já não chocam mais e apenas provocam no público grande tédio e enfado. Para os mais sensíveis e conscientes, no entanto, imagens de total desrespeito com a vida contribuem para enfraquecer a fé na espécie humana e diminuem a esperança em um futuro melhor. A mensagem subliminar transmitida nessas notícias convida a população a aderir a essa onda de selvageria, seja no lar, no trabalho e no convívio com seus semelhantes. É nesse sentido que a falta de líderes se torna mais presente. São esses indivíduos que supostamente deveriam conduzir a sociedade para um outro caminho que não o da violência.

Disse um poeta, certa vez, que quando o mar está calmo, qualquer um pode segurar o leme. Mas quando ocorre uma tormenta, apenas um capitão experiente e determinado consegue comandar seus marinheiros com mão forte e conduzir o navio para um porto seguro. O mundo precisa de líderes com esse mesmo espírito para enfrentar os enormes desafios que se avolumam nos cenários político, econômico e corporativo. Mais do que nunca a sociedade necessita de comandantes destemidos e capazes de enfrentar as tempestades com serenidade e sabedoria. Pessoas que saibam reconhecer a grandeza que há no espírito humano e que sejam fortes o suficiente para estimular ações de cooperação e conciliação, inclusive, e principalmente, em meio ao caos.

A época exige que as boas qualidades sejam colocadas em evidência, e isso apenas é possível através de líderes que inspiram confiança e tenham como alvo alcançar a melhoria das condições de vida. Quando tratamos as pessoas com dignidade e respeito, elas nos surpreendem e mostram sua capacidade de superar obstáculos e limitações. Precisamos de líderes com tal consciência e que consigam despertar nos indivíduos essa confiança. E isso se aplica tanto aos pequenos agrupamentos humanos, como clubes e associações de bairro, como também em empresas de todos os portes, e principalmente no governo de cidades, estados e países.

Como membros da sociedade humana, todos ansiamos em participar de algo maior que seja compartilhado e não fique restrito a uma minoria. O senso de comunidade que já tivemos acabou se perdendo ao longo do tempo com a redução do comportamento ético e moral de muitos líderes que puseram de lado o bem comum e a solidariedade, visando objetivos pessoais. Hoje, mais do que nunca, é preciso que os governantes voltem a servir de exemplo, através de atitudes éticas.

O líder ideal deve ter ainda outra importante qualidade: a de saber ouvir os que têm opiniões contrárias às suas e analisar essas idéias sem preconceito. Com essa postura ele ou ela conseguirá conquistar o respeito das pessoas, permitindo, em contrapartida, que esses cidadãos descubram em si próprios qualidades que nem sabiam que tinham. Quanto mais o grupo compartilha das decisões, mais se sente motivado a colaborar para implementá-las. Só assim será possível construir uma sociedade onde justiça e consideração ao próximo seja um fato natural e consolidado.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Atualmente, é um dos coordenadores do www.library.com.br, site sem fins lucrativos, e autor dos livros Encontro com o Homem Sábio , Reencontro com o Homem Sábio, A Trajetória do Ser Humano na Terra e Nola – o manuscrito que abalou o mundo, editados pela Editora Nobel com o selo Marco Zero. E-mail: bidutra@attglobal.net

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ELEIÇÕES 2008: O BRASIL ENTRANDO DE CABEÇA NO SÉCULO XXI
*por Fernando Quércia

(Flöter & Schauff) - Estamos agora em um período que poderia ser qualificado como um pré-aquecimento eleitoral. Todos estão começando a se ligar nas eleições de outubro próximo. Os partidos em busca de seu espaço, suas coligações e preparando seus candidatos a prefeito e vereadores que irão concorrer ao pleito. Os pré-candidatos, já em ritmo de eleição, esquentam as pré-campanhas de olho na justiça eleitoral cada vez mais severa e atuante. O Tribunal Superior Eleitoral, como acontece de dois em dois anos, começa a editar suas resoluções aprimorando a legislação vigente e, cada vez mais, tentando restringir a propaganda ilegal e o abuso de poder econômico ainda largamente utilizado em nosso país como forma de tentar garantir vitória nas eleições.

Existe, porém, nesta eleição um fato novo e que poderá significar a segunda onde revolucionária no processo eleitoral, desde que foi implantando no Brasil a urna eletrônica, hoje instrumento testado e aprovado nas eleições Brasileiras, falamos da implantação do uso da BIOMETRIA no processo eleitoral. E o que é Biometria?

A palavra vem do grego bios (vida) metron (medida) e designa um método automático de reconhecimento individual baseado em medidas biológicas (anatômicas e fisiológicas) e características comportamentais. A biometria mais comumente utilizada inclui a impressão digital, aliás, é esse o processo que inicialmente será testado nesta eleição, mas pode envolver outras ferramentas como reconhecimento de face de íris, assinatura e até geometria das mãos. O importante é compreender que as ferramentas biométricas proporcionam aos sistemas segurança total e confiabilidade e que são processos preparados para reconhecer, verificar ou identificar uma pessoa que foi previamente cadastrada, confirmando sua identidade.

O início desse processo se deu com a publicação da Resolução 22.688 pelo Tribunal Superior Eleitoral disciplinando os procedimentos para a atualização do cadastro eleitoral, decorrente da implantação, em caráter experimental, nos municípios que especifica, de nova sistemática de identificação do eleitor, mediante incorporação de dados biométricos e fotografia. Além disso, a Resolução citada trouxe em seu anexo um cronograma de atividade para atualização cadastral com início em três de março passado e término em 25 de abril passado onde os eleitores das cidades que utilizarão a ferramenta em caráter experimental foram instados a comparecer nos cartórios eleitorais a fim de realizarem o cadastramento se adequando as novas regras de identificação que serão aplicadas.

Na seqüência foi publicada em 28 de fevereiro deste ano a Resolução n° 22.713 pelo Tribunal Superior Eleitoral em Brasília onde estabelece que pela primeira vez, nas eleições próximas de outubro, serão testados procedimentos de identificação biométrica do eleitor e votação nas seções eleitorais dos municípios de Fátima do Sul/MS, Colorado do Oeste/RO e São João Batista/SC.

 A Resolução traz no seu bojo, além da determinação sobre os procedimentos a serem adotados na votação, que incluem, após a devida identificação do eleitor, o uso da ferramenta biométrica, no caso, um leitor de impressão digital que fará o reconhecimento da impressão do eleitor, impressão esta previamente colhida nos cartórios eleitorais. A resolução ainda prevê os casos em que pode não haver o reconhecimento da impressão, o que não impede a votação, porém prevê a utilização de um código numérico específico e ainda a consignação do fato em ata. Além disso, a Resolução faz referências ao voto do portador de necessidades especiais que poderá entre outras coisas se utilizar de pessoa de confiança para votar, sistema braile, sistemas de áudio quando disponíveis e outros.

Percebe-se por parte dos legisladores eleitorais no caso do uso da Biometria a preocupação em tentar aprimorar cada vez mais a identificação do votante e do voto como forma de tentar coibir quaisquer tipos de abuso e crimes eleitorais, tanto na pessoa do eleitor, evitando a falsidade ideológica, como em qualquer possível tentativa de, por exemplo, fraudar as urnas eletrônicas.

Este procedimento, sendo adotado no pleito que se aproxima servira como teste real da aplicabilidade destes métodos, e caso haja sucesso na sua aplicação certamente seu uso se ampliará no futuro, inclusive com a utilização de ferramentas biométricas cada vez mais modernas e confiáveis.

O Brasil demonstra com isso que no quesito eleição pode se vangloriar de ser um precursor de modernas ferramentas eleitorais, e aliado a uma legislação restritiva de abusos procura seu caminho no sentido de aperfeiçoar a jovem democracia. Quando enfim pudermos aliar a tudo isso um sentido de maturidade e aperfeiçoamento na educação e instrução do povo para que o voto seja sim um instrumento de mudança para melhor em nossa política, talvez ais possam atingir critérios de excelência no processo eleitoral que inibam de todas as formas a participação de candidatos espúrios e corruptos.

*Fernando Quércia é sócio do escritório Fernando Quércia e Advogados Associados, escritório de advocacia especializado em Direito Eleitoral.

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SAUDADES... MUITAS SAUDADES

Por Humberto Lopes*

Sou do tempo da Jovem Guarda; de Roberto Carlos; dos Beatles e dos Rolling Stones; do 'Uirapuru Zimbo', de Sousa; d'Os Águias', de Barbalha; de Hildemartins Som de Juazeiro do Norte; dos Bárbaros de Campina Grande, das quadrilhas de Pesqueira; de Brigitte Bardot; das calças faroeste e US Top; das moedas de duas cabeças; da primeira geração de Crush, de Grapette e da Cajuina São Geraldo; do cigarro Continental; do lança-perfume livre; dos carnavais nos corsos e nos clubes sociais; das quatro taboadas e da carta de ABC; das cartilhas Maravilhosa e do Povo; da radiola portátil e do radinho japonês; das rádios Iracema, Progresso, Educadora Alto Piranhas e Araripe; de serenatas nas calçadas; de programas de auditório; da camisa volta ao mundo e da blusa banlon; da calça de helanca cigarrete...

Sou do tempo em que John Kennedy era o mais charmoso e o mais trágico da temporada; e Jackie a musa low-profile; Ronnie Von era o pequeno príncipe; Wanderley Cardoso era o Bom Rapaz e os hippies mandavam ver na música, na droga e se ferravam; se escreviam cartas a amigos e namorados; professor ensinava; o castigo era de joelhos; padre não casava; se pedia à benção aos pais e avós; se dava bom-dia e boa-noite às pessoas na rua; Papai Noel existia; só se tomava refrigerante em dia de festa (e o chic era o Guaraná); se ouvia novela pelo rádio; sandália havaiana era japonesa; debutar e ser miss era de um glamour...; as moças estudavam em colégio de freiras e os meninos em colégios de padres; garota adolescente era menina-moça; garota namoradeira ficava 'falada'; moça que engravidava, casava à força; quando os pais proibiam o namoro, o casal fugia, para viver junto; bad-boy era cafajeste; namorado(a) era broto; balada era passeio; galera era turma; fumar era in; elegância era etiqueta; gastronomia era arte culinária; as moças passeavam na praça de braços dados e os rapazes ficavam parados, olhando; moças e rapazes flertavam; rave era assustado, e depois virou tertúlia; danças da moda eram twist e bolero; banda era conjunto ou orquestra; tira-gosto era queijo e azeitona; cinema exibia sessões matiné e matinal; crianças vendiam balas e drops dentro do cinema; o cinema tinha cortinas (!) que se abriam devagar em três toques (tuuuuuuummmm), para o filme começar; a missa também só começava quando o sino da igreja chamava em três intervalos (três chamadas); não se esquecia o 'primeiro namorado'; casal de namorados eram três pessoas: o namorado, a namorada e o vendedor de cocada ou o segurador de vela; namorados usavam anel de compromisso e noivos alianças de noivado; padrinhos de casamento eram testemunhas; as mulheres assistiam à missa com véu na cabeça; se fazia promessa ao Pe. Cícero de Juazeiro e ao São Francisco de Canindé; o canto do galo era sagrado; galo cantava à meia noite; porta de clube era sereno; se conversava em cadeiras nas calçadas; instrumentos chic's eram piano e acordeon; CD era disco compacto e long-play; disc player era radiola; geladeira era Consul; liquidificador era Arno; beleza era Marta Rocha; filho de papai era playboy; forró era musica de pé-de-serra; gel era brilhantina Glostora; brinquedos eram bola e boneca que chorava; Dingobéu era música de Natal; calça que não amassava era Nycron; biquini era engana-mamãe; parque de diversões era só roda gigante, canoa e carrossel; lâmina de barbear era Gillette; fotolog era álbum; blog era diário; chocolate já era Sonho de Valsa;...

Mas, metido como sou, não fiquei vendo o tempo passar, hoje, sou jornalista e internauta, meus amigos vão de aborrescentes à terceira idade, e tenho até filho metaleiro!

E você, de que tempo você vem? Se voce não foi do meu tempo, pelo menos já sabe o que perdeu...


* Humberto Lopes é jornalista e historiador.

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QUE ESPÉCIE DE BRASILEIRO EU SOU?
- minha identidade de brasileiro -

Por Valdeck Almeida de Jesus

Reconheço-me como brasileiro, cidadão consciente de meus direitos e deveres. Sou o brasileiro propalado pela grande mídia em alguns aspectos e um cidadão do mundo em alguns outros aspectos.

Como a maioria dos compatriotas, nasci despido do que há de mais elementar na vida de um ser humano: uma casa. Minha família não tinha habitação própria, o que só foi conquistada após 25 anos de luta depois do meu nascimento.

Filho de pais analfabetos, nordestinos, retirantes de suas cidades de origem. O mais velho de oito irmãos. Morador, por óbvio, da periferia de uma cidade do interior, Jequié (Bahia), em cujo bairro “da Banca” não havia qualquer tipo de infra-estrutura, esgotamento sanitário, luz elétrica, água encanada, serviços de telefonia ou transporte coletivo. “O fim do mundo”, onde todo brasileiro costuma nascer. Por estas e outras questões que eu me sinto um brasileiro.

Estudante de escola pública eu enfrentei a palmatória e os puxões de orelha para aprender a lição. Repeti o ano várias vezes, principalmente até a 5ª série. Durante o tempo de escola sempre precisei trabalhar. Peguei no batente aos seis anos de idade e não parei mais. O difícil era conciliar o sono e o cansaço na hora de assistir às aulas noturnas. Depois de uma jornada que se iniciava às 8 da manhã e terminava às 22 horas, voltava a pé pra casa, distante quase uma hora. Brasileiro agüenta. Sempre!

A volta pra casa era sempre um momento de desolação, ao chegar e não encontrar o que comer. Jesus tinha repartido um pão para milhares de seguidores, mas em minha casa a gente não conseguia repetir esta façanha. E a casa, de vez em quando mudava de endereço. Como não pagávamos o aluguel em dia, ou ficávamos devendo, o dono nos botava pra fora. Era uma rotina à qual nos acostumamos, afinal, tantos outros vizinhos passavam pela mesma situação, que aquilo nos era familiar e comum. Era o destino. Ninguém poderia fazer nada para mudar. Nem tentar mudar. Afinal, já era tradição no país o povo viver assim, ao Deus dará. O melhor era se resignar, pois “O Reino dos Céus” estava sendo preparado para receber os pobres...

O trabalho? Trabalho de brasileiro: carregador de compras na feira, limpador de quintais, vendedor de doces nas esquinas, quebrador de pedras... Não tinha dinheiro para brinquedos nem para livros. Brasileiro não lê, trabalha. Quando eu queria livros, brinquedos, os catava nos lixos. As sobras da renda mal distribuída estavam ali ao meu alcance. Nas andanças pelas ruas e becos, aprendi sobre sexo, o que era certo e o que era errado. Mas em casa as lições eram outras. Minha mãe, apesar de analfabeta, tinha uma postura de brasileira: honesta, não queria “sujar” o nome, tinha que dar uma educação exemplar aos filhos, para não serem como ela. Haveriam de ser diferentes!

Minha raça sempre foi a “raça ruim”, a raça que pertence à pobreza, àquelas famílias que se situam abaixo da linha da pobreza, a raça dos miseráveis, dos sem futuro. Eu não tinha noção do que era ser negro ou ser branco. Eu sabia quem era preto e quem era branco, mas não tinha a verdadeira noção da raça. Hoje descobri que sou negro. Mas descobri também que pertenço à raça humana, que dá tudo no mesmo, não importa a cor da pele ou se os cabelos são lisos ou encarapinhados. Descobri que a ‘tradução’ de raça mudou, mas que as condições de vida das pessoas, brancas ou negras, continua a mesma, ou melhor, piorou. Descobri que minha mãe tinha uma avó índia, que havia muitos negros em nosso passado. Mas nada disso me importa, não importa mesmo. Sou negro, na raça! Saí das estatísticas da miséria. Não preciso mais ser negro ou ser branco. Ascendi socialmente, com esforço e com estudo. Apaguei da mente a promessa de recompensa após a morte. Minha recompensa eu quero aqui, agora. Quero ser igual a todos os outros brasileiros, como a lei me garante (descobri isso tarde demais).

Religião e cidadania

Nasci católico e continuo sendo católico. Afinal, todo brasileiro é católico apostólico romano. Mesmo os que nunca vão à igreja e nem sabem o que é ritual. Freqüentei missas dominicais, batizados, comunhão etc. e tal. Mas a fome falou mais alto quando o descobri que no Centro Espírita eram distribuídas cestas básicas. Não saí mais de lá, desde os seis anos de idade. Hoje, naturalmente, não recebo mais doações de cestas básicas, nem de roupas, nem de remédio. Quando posso, dôo alguma coisa. “No meio do caminho, tinha uma pedra”, e para driblá-la, me converti ao protestantismo. Anos depois, voltei ao espiritismo. Recentemente conheci o candomblé e passei a freqüentá-lo, sem, no entanto, deixar o espiritismo e o catolicismo. Não recuso, ainda, convites para assistir a cultos em igrejas protestantes. Sou eclético, sou brasileiro.

A noção de cidadania nasceu bem tarde em minha consciência e em minha família. Brasileiro não precisa saber dessas coisas. Tudo é resolvido pelo governo. E o que o governo não puder fazer, Deus dá um jeito! Minha mãe fazia promessa para tudo quanto era santo. E todo ano rezava uma ladainha para São Roque, o que mais lhe ajudava nas horas difíceis. Deus ficava em segundo plano. São Roque sempre estava a postos. Deus, apesar de ser brasileiro, deveria estar sempre ocupado com outros assuntos mais urgentes. Cuidando de um país mais tão grande, como iria notar uma família de esfomeados no interior do nordeste? As lutas estudantis, nos idos anos oitenta serviram para despertar uma noção de “igualdade” perante a lei. E despertou também a revolta e desilusão com os políticos, que sempre se esquecem das promessas depois de cada eleição. É outra característica bem brasileira, à qual fui me acostumando...

Brasileiro, de verdade, vive sempre à margem da sociedade. Come as sobras, se contenta com pouco. Afinal, o Reino dos Céus nos foi prometido pelos padres e não pertence a este mundo. Aprendi que é melhor deixar os ricos se tornarem mais ricos nesta vida, pois na “outra” serão castigados. A justiça de Deus tarda, mas não falha, é o que aprendi num dito popular. É aconselhável não querer crescer nem conquistar nada na Terra. E se cobiçarmos uma vida digna, com fartura e uma adequada divisão da renda nacional, podemos nos redimir desse pecado rezando quinhentas “Ave Marias” e mil e tantas “Santas Marias”.

Corrupção

Nada de se importar com os “Lalaus”, “Anões do Orçamento”, escândalos das ambulâncias, máfia do sangue, desvio de verbas públicas, super faturamento de obras, malas de dinheiro, dólares na cueca. Tudo isso é coisa de quem vai para o inferno (?). Brasileiro tem que se orgulhar de o país ser auto-suficiente em petróleo, bater recordes de produção de alimentos e não ter comida na mesa nem carro para dirigir; brasileiro tem se orgulhar de ter inventado o avião e, também, o caos aéreo; tem que ficar feliz por seu país deter cerca de 12% das águas potáveis do mundo e não se envergonhar de poluir os mananciais, destruir as matas ciliares e ocupar o entorno das grandes represas e lagoas; brasileiro tem que assistir a chacinas como a da Candelária, ver mortos por balas perdidas todos os dias, assassinatos de jovens e adolescentes nas periferias das grandes cidades e achar tudo isso normal; brasileiro tem que achar as os mais de 50 mil mortos no trânsito anualmente é aceitável e está dentro da normalidade.

Afinal, nosso país é a terra do contraste. Temos campões de fórmula 1, mas nosso trânsito anda a 12km/h nas grandes metrópoles. Produzimos alimentos para exportar e o que sobra jogamos no lixo ou deixamos cair pelas estradas durante o transporte. Nada de economizar, temos muitas riquezas e podemos esbanjar... Temos prisões abarrotadas de pessoas que cometeram crimes comuns, enquanto que os grandes ladrões de colarinho branco estão à solta, e amparadas pela lei. Somos um país em que se explora sexualmente crianças e adolescentes, em que o tráfico de mulheres existe, mas somos alegres, afinal, o Brasil é o país do eterno festival, do pão e do circo, do trio elétrico e da cerveja. Mas, será que “toda brasileira é bunda?”, será que o nordestino é mesmo, “antes de tudo um forte?”. E o baiano, é mesmo preguiçoso?

Carnaval...

É um momento de descontração e oportunidade em que me “penitencio” do trabalho, do trânsito, da violência mostrada diariamente na TV, dos escândalos financeiros, das falcatruas que ocorrem em Brasília (e no resto do país), e de tantas outras calamidades que ocorrem no meu querido Brasil. Graças a Deus que aqui não tem ciclone, terremoto, maremoto; não tem carro-bomba, terrorismo, guerra... Nossa guerra é outra: mais de 50 mil mortos no trânsito, balas perdidas, fome, falta de atendimento médico-hospitalar, desemprego, má distribuição de renda, falta de investimento em educação, transporte de péssima qualidade, povo sem memória, mas nada que não tenha jeito. Afinal, temos tudo pra dar certo. Somos o país do samba e do futebol, somos um povo pacífico e ordeiro, trabalhador e paciente. Até quando?

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